Fique Diva - A maquiadora Monique Angell fala sobre transição capilar e dá dicas de aceitação e autoestima: 'A transição de mentalidade é a parte mais difícil'

18/05/2018 / Publicado por Marina Couto

A maquiadora Monique Angell fala sobre transição capilar e dá dicas de aceitação e autoestima: 'A transição de mentalidade é a parte mais difícil'

Monique Angell é mineira, maquiadora e começou a transição capilar em 2015

Monique Angell é mineira, maquiadora e começou a transição capilar em 2015

Para cuidar dos cachos, Monique aposta nas receitas caseiras e não abre mão do condicionador

Para cuidar dos cachos, Monique aposta nas receitas caseiras e não abre mão do condicionador

Para Monique, o mais importante é assumir os cachos sem se importar com os padrões e desapegar da ideia de cacho perfeito

Para Monique, o mais importante é assumir os cachos sem se importar com os padrões e desapegar da ideia de cacho perfeito

A maquiadora Monique Angell era do tipo que não largava o secador ou a chapinha por nada, mesmo depois de ter parado de alisar os fios. Isso porque ela acreditava que cabelo cacheado dava muito trabalho e que não combinava com ela - afinal, não estava acostumada com o seu tipo natural desde os 11 anos de idade. No entanto, bastou ter coragem para largar as ferramentas de calor que tudo mudou. Na conversa com o Fique Diva, a mineira contou como foi a sua transição capilar, suas dificuldades e cuidados e do quanto é importante fazer uma transição de mentalidade depois de assumir os cachos. Confira!

FD: Já passou pela transição capilar? Se sim, como foi o processo? Fez big chop?

Decidi passar pela transição capilar mais por necessidade do que por vontade. Meu cabelo estava extremamente danificado e, embora não alisasse mais há pelo menos uns 3 anos, não largava o secador e a chapinha. Para mim, o cabelo tinha que ser liso escorrido! Por isso, em 2015, comecei a cogitar a voltar aos cachos, mas logo desisti porque muita gente me falava que dava trabalho e que eu não combinava com cabelo cacheado.

Nesse mesmo ano, eu trabalhava em uma academia e um dia precisei escovar o cabelo para ir ao trabalho. Como tinha pouco tempo para me arrumar, decidi texturizar as madeixas. Não deu certo, o cabelo ficou horrível, mas no fundo eu estava orgulhosa. Ouvi muitas piadinhas no dia, só que uma menina veio até a mim para dizer que adorou o meu cabelo e me deu várias dicas de produtos. Me animei e isso me deu um gás para fazer o que eu queria há tanto tempo. No outro dia, não escovei, nem no dia seguinte. Após 2 semanas, fiz a última escova antes de assumir mesmo a transição.

Em novembro, fiz um corte mais ou menos e todo mês cortava um dedinho. Só no final de 2016, fiz meu big chop e senti um misto de arrependimento e liberdade absurdo. Em menos de uma semana, me sentia vitoriosa por ter conseguido passar pela transição sem ter a mínima vontade de desistir.

FD: Como eram os seus cuidados capilares antes de assumir os cachos?

Eu não entendia nada de cabelo! Tinha dois cremes e intercalava os dois toda semana. Usava qualquer shampoo, não usava condicionador e, quando usava, fazia errado. Usava o shampoo de maneira errada também.

FD: E agora, como faz para cuidar dos cabelos? Tem algum truque, tratamento ou receita caseira que não abre mão?

Agora meu cabelo é meu xodó! Faço uso da técnica low poo desde a metade de 2016. Sigo cronograma capilar religiosamente desde o início da transição e, com o tempo, vou ajustando os tratamentos com a minha rotina e necessidades.

Uso muita receita caseira e a minha favorita é misturar babosa, açúcar (ou mel), azeite de oliva e um creme liberado para a técnica que faço. Também não abro mão de deixar o condicionador agindo nos fios por pelo menos 3 minutos. No meu Instagram, dou muitas dicas, faço teste com produtos, receitas, etc.

FD: Acredita que seu estilo e sua autoestima mudaram depois da transição? De que forma?

A transição capilar mudou a minha forma de me ver, de ver o mundo, de enxergar o consumo exagerado. Eu usava lentes de contato por pura vaidade onde quer que eu fosse. Depois da transição, virou apenas mais um acessório que uso de vez em quando, e olhe lá!

Sou maquiadora e também larguei a necessidade de viver maquiada o tempo todo por puro padrão. Na área da beleza, além do padrão social, temos o "padrão profissional", a obrigação de estar sempre maquiada, que não me atinge mais. Meu estilo mudou muito e me sinto muito mais ousada e estilosa nas combinações. Minha mente realmente se abriu!

FD: Muita gente acredita em “cacho perfeito” depois da transição e fica frustrada com a falta de definição ou com a real textura dos fios. O que você pensa sobre isso?

Acho que falta transição de mentalidade nas pessoas. Elas saem de uma imposição de padrão e caem em outra. Saem da “ditadura do liso” para entrarem na “ditadura do cacheado”, em que fazer uma escova ou chapinha para usar o cabelo diferente vira crime. Os fios do tipo 3 causam nas pessoas a vontade de ter os cachos de volta, mas quando elas descobrem que têm um cabelo mais crespo ou mesmo ondulado se frustram, porque as pessoas estão mais preocupadas com estar na moda do que com a real aceitação de si mesmas.

Não há nada de errado em querer o cabelo mais volumoso ou mais definido, quando isso não é uma exigência para a pessoa se sentir bonita. Amo meu cabelo com definição e volume, mas quando estou com pressa, ou o corte não está legal, não sofro. Continuo bem e me sentindo bonita com o cabelo do jeito que estiver.

FD: Já sofreu algum preconceito ou crítica a respeito do seu cabelo? Como lida com a situação?

Na adolescência, eu sofria com bullying dentro e fora de casa. Durante a transição, tinham os olhares curiosos na rua, mas eu nunca me importei. Minha irmã falava mal, minha mãe dizia que parecia um ninho de passarinho. Meu pai sempre apoiou e ficou muito feliz quando me viu pela primeira vez de cabelo cacheado de novo.

Sou o tipo de pessoa que não liga para opinião alheia sobre minhas escolhas, mas, quando as pessoas que amamos nos apoiam, fica tudo mais fácil. E quando não apoiam, fica difícil, mas não impossível. Na internet já tive de lidar com preconceito, mas na vida real, no dia a dia, as pessoas ficam admiradas com meu cabelo. A cor, a textura e o brilho chamam muita atenção para o lado bom. Costumam me parar na rua pra elogiar e perguntar como faço pra cuidar.

FD: Se puder deixar um recado para as leitoras do Fique Diva que estão passando pela transição capilar, o que diria a elas?

Se libertem das amarras da vida! Não sofram por causa de aparência. A transição de mentalidade é a parte mais difícil porque ela só vem com maturidade e experiência. Não caiam em padrões de beleza, você é o que é, e não o que a indústria da beleza te manda ser. Assuma seu papel no mundo, mulher, e não desista de você!

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