Fique Diva - Ana Carvalho compartilha sua transição capilar: 'Meu cabelo hoje não é uma opção estética, faz parte da minha história'

13/08/2018 / Publicado por Vitória Quirino

Ana Carvalho compartilha sua transição capilar: 'Meu cabelo hoje não é uma opção estética, faz parte da minha história'

Ana Carvalho usou química nos fios por cerca de 13 anos e demorou 2 anos para finalizar a sua transição capilar

Ana Carvalho usou química nos fios por cerca de 13 anos e demorou 2 anos para finalizar a sua transição capilar

A técnica de low poo foi o primeiro passo para que Ana repensasse o uso de procedimentos químicos nas madeixas

A técnica de low poo foi o primeiro passo para que Ana repensasse o uso de procedimentos químicos nas madeixas

'Meu cabelo começou a refletir quem eu verdadeiramente sou e sempre quis ser', conta a produtora

'Meu cabelo começou a refletir quem eu verdadeiramente sou e sempre quis ser', conta a produtora

Ana afirma que a sua relação com seu cabelo é muito mais que uma opção estética, é uma conexão com a ancestralidade

Ana afirma que a sua relação com seu cabelo é muito mais que uma opção estética, é uma conexão com a ancestralidade

A transição capilar é um grande momento de autoconhecimento e aceitação de sua própria beleza e raízes. Passar pelo processo é uma experiência particular para cada menina e todas as histórias possuem nuances e sentimentos diferentes, tanto para quem as transmite, quanto para quem as recebe. Estar em contato com essa rede de mulheres, que compartilha seus medos, dicas e percepções ao redescobrir o próprio cabelo, é essencial para o crescimento do movimento de aceitação dos cabelos crespos e cacheados.

Ana Carvalho começou a usar química aos 11 anos de idade e por 13 anos fez diversas tentativas de alterar os cachos com procedimentos diferentes. Na tentativa de se encaixar no padrão das colegas de classe, conseguiu convencer a mãe a concordar com o primeiro alisamento. Atualmente, depois de dedicar dois anos à transição capilar, a produtora curte a experiência de ter seu cabelo natural de volta. Vem com o Fique Diva saber um pouco mais sobre o processo da Ana e saiba quais dicas ela dá para quem ainda está passando pela transição!

FD: Como era sua relação com seu cabelo cacheado quando pequena?

Ana: Minha relação com meu cabelo era totalmente influenciada pela forma que o mundo se mostrava para mim. Apesar de minha mãe, como negra, sempre ser muito defensora da causa e sempre trazer questões importantes para dentro de casa, eu convivia a maior parte do tempo com meninas loiras e lisas na escola. Eu era a única negra da sala e consequentemente me achava a menina mais feia também. Inconscientemente, uma das coisas que eu desejava era ter o cabelo liso e comprido, igual o das meninas mais queridas da escola. Dessa forma eu achava que seria mais fácil ser notada, e atrairia tantos amigos quanto as outras meninas.

FD: O que te levou a alisar os fios, quantos anos você tinha e por quanto tempo utilizou a química?

Ana: Como falei anteriormente, eu queria acompanhar o padrão que era visto como bonito. Queria me sentir inclusa de alguma forma. Minha mãe não era a favor, mas aos poucos quando fui ficando mais velha eu acabei convencendo-a. A primeira química se não me engano, fiz com uns 11 anos e depois retornei com uns 14/15 anos. Odiava demais o meu cabelo, obviamente procedimento nenhum "resolvia", e quando completei os 17 anos eu tentei uma nova química. Essa nova química teoricamente era voltada para os cabelos cacheados, um desses relaxamentos para soltar os cachos, que bombou bastante na minha cidade. Por mais que hoje eu enxergue de outra forma, eu reconheço que foi o primeiro passo para eu começar reconhecer minha identidade e o meu cabelo. Antes de me livrar totalmente da química, fiquei presa nela (dessa última vez) por 7 longos anos.

FD: Em que momento você percebeu que os procedimentos químicos não eram mais o que você queria?

Ana: Aos 24 anos, em 2014, comecei a ler e conversar bastante sobre low poo. Na época a técnica era pouco conhecida, mas me fez repensar também para além da estética e analisar melhor a composição de tudo que eu consumia. O low poo foi um passo essencial e me ajudou muito a repensar várias outras questões.

FD: Conte um pouco como foi a sua transição capilar. Como foi o processo? Quanto tempo durou?

Ana: Acho que o processo todo durou 2 anos. Eu coloquei na minha cabeça que se aguentasse 2 ou 3 meses sem refazer a raiz, aguentaria o restante do processo. Eu estava focada em me libertar disso e minhas amigas me ajudaram bastante, me colocavam para cima o tempo todo e me davam a certeza da escolha certa.

 

FD: Você chegou a fazer o big chop ou optou por aguardar os fios crescerem mais?

Ana: Eu super apoio o big chop, mas eu só conseguia ir cortando as pontas aos poucos. Esperava o cabelo crescer um pouco e depois cortava mais.

FD: O cabelo cacheado influenciou na seu estilo de se vestir? Qual foi a principal mudança?

Ana: Meu cabelo começou a refletir quem eu verdadeiramente sou e sempre quis ser. A principal mudança, para mim, foi interna. Externar, da nossa maneira, a beleza que temos por dentro é muito gostoso.

FD: O que a transição capilar representa para sua vida? E que dica você deixa para quem ainda está passando pelo processo?

Ana: Meu cabelo hoje não é uma opção estética, faz parte da minha história, das minhas raízes. É se mostrar ciente das questões da ancestralidade. Ainda bem que as discussões estão mais presentes, estão fazendo as pessoas pensarem sobre padrões e privilégios. Na minha época não tinha ninguém para falar nada disso para mim. Não deixe ninguém falar que você é "menos" por causa do seu cabelo. Faça o que verdadeiramente te deixe feliz, e se ficar longe das químicas fizer parte disso, não fique com medo! Cabelo cresce rapidinho, e você pode começar cortando aos poucos. Usar produtos específicos para cuidar dos fios é muito importante também, e a Niely mesmo tem ótimas máscaras e finalizadores. Fazer fitagem também ajudar muito a textura do cabelo durante a transição capilar.

 

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