Fique Diva - Karen Merilyn compartilha experiência de dupla transição capilar: 'Nunca vai ser fácil, mas sempre vai valer a pena'

17/11/2017 / Publicado por Vitória Quirino

Karen Merilyn compartilha experiência de dupla transição capilar: 'Nunca vai ser fácil, mas sempre vai valer a pena'

Karen assumiu seus cachos aos 19 anos depois de passar pela transição capilar duas vezes

Karen assumiu seus cachos aos 19 anos depois de passar pela transição capilar duas vezes

Duante a primeira transição capilar optou por ir cortando os fios lisos aos poucos

Duante a primeira transição capilar optou por ir cortando os fios lisos aos poucos

Para realizar o sonho de ver seus cachos coloridos, Karen arriscou ao colorir os fios em casa

Para realizar o sonho de ver seus cachos coloridos, Karen arriscou ao colorir os fios em casa

Karen apostou na queratina líquida para recuperar os fios cacheados após o erro de coloração

Karen apostou na queratina líquida para recuperar os fios cacheados após o erro de coloração

Karen usou os cachos completamente roxos por um mês

Karen usou os cachos completamente roxos por um mês

As tranças ajudaram a recuperar a autoestima de Karen quando o cabelo estava bem curto

As tranças ajudaram a recuperar a autoestima de Karen quando o cabelo estava bem curto

Depois de aceitar seu cabelo natural, Karen passou a ser inspiração para muitas meninas com quem convive

Depois de aceitar seu cabelo natural, Karen passou a ser inspiração para muitas meninas com quem convive

A estudante de jornalismo Karen Merylin sempre teve uma relação complicada com o volume do seu cabelo e só usava os fios presos. Desde a infância conviveu com a vontade de alisar seus cachos e, após muita resistência de sua mãe, conseguiu cabelos lisos aos 14 anos. Depois de cinco anos usando química nas madeixas, e um processo intenso de empoderamento, Karen assumiu seus cachos aos 19 depois de passar pela transição capilar duas vezes. Hoje, com 21 anos, a história de aceitação do seu cabelo influencia muitas meninas da sua família e também da universidade.

FD: Qual foi sua maior motivação a iniciar a transição capilar e como foi o processo?

Karen: Informação! Quando eu passei para faculdade de jornalismo, comecei a ter acesso a muita coisa que eu não tinha antes, conheci sobre o movimento negro e entendi de onde vinha aquela vontade de ter o cabelo liso. Percebi que o motivo que me fazia alisar o cabelo era por pensar que só seria aceita se tivesse cabelo liso, se fosse "menos negra". A partir daí, a transição foi um processo natural, quando entendi todas essas questões eu passei uma noite inteira vendo vídeos no YouTube sobre transição capilar e no outro dia já comprei um creme para cabelos cacheados e parei de usar a chapinha. Foi um pouco mais fácil, porque eu já estava há 6 meses sem alisar, só fazendo escova, e tinha acabado de fazer um corte long bob, então já tinha bastante raiz com poucas pontas lisas.

FD: Qual foi seu maior medo ao iniciar o processo de transição capilar?

Karen: Meus maiores medos foram não gostar do meu cabelo natural e o que as outras pessoas iam achar. Felizmente, eu tive muita sorte e meus amigos me apoiaram muito, elogiaram bastante meu cabelo durante todo processo e aquilo me deu forças para seguir. Mas em casa eu não tinha tanto apoio, então se basear no que as outras pessoas vão pensar não ajuda. A única opinião que importa na transição capilar é a sua! A transição é algo muito mais interno que externo porque é o seu interior que muda, a sua forma de pensar os padrões que muda, o cabelo é só uma consequência.

FD: Depois da sua primeira experiência com a transição capilar, quanto tempo levou para sua primeira coloração e o que deu errado?

Karen: Não cheguei a concluir a primeira transição capilar quando eu descolori o cabelo. Eu estava há mais ou menos quatro meses em transição capilar e 10 meses sem nenhuma química e ainda tinha um pouquinho de ponta lisa. Desde criança eu queria ter o cabelo colorido, mas sempre acreditei que não combinava comigo por eu ser negra. Como tinha entendido que isso não era verdade, eu quis logo pintar meu cabelo de rosa antes de finalizar a transição, e o meu erro foi ter feito em casa. Eu comprei um descolorante com volume muito alto e isso acabou com os meus cachos, além do cabelo ficar em um tom laranja. Os fios ficaram lisos e eu tive que pintar na minha cor natural e usar chapinha por um tempo porque não dava para usá-lo do jeito que ficou, estava muito danificado.

Um ano depois disso e com meu cabelo 100% natural e recuperado, eu descolori mais uma vez, só que nessa não deu tão errado. Como era meu sonho ter cabelo colorido fui teimosa e fiz em casa de novo, mas com um descolorante de volume mais baixo e consegui ficar por um mês com cabelo roxo e o mês seguinte com rosa. Apesar de tudo o que aconteceu na primeira vez, eu não me arrependo, porque realizei um sonho e provei que eu podia, sim, ter cabelo colorido e que ficaria lindo.

FD: O processo de transição capilar pode ser complicado para muita gente, o que te motivou a passar por ele na segunda vez? Foi mais fácil?


Karen: Eu já não me via mais de cabelo liso, foi muito doloroso para mim ter que usar chapinha de novo, eu não tinha mais paciência para ficar horas alisando mecha por mecha. Aquilo era muito pior que passar pela transição capilar. Então eu decidi cortar a parte lisa de uma vez e deixá-lo natural. Foi mais fácil que a primeira transição, porque eu já sabia mais ou menos como era a liberdade de ter o cabelo natural, mas mesmo assim eu me sentia feia às vezes por estar com o cabelo curto como nunca antes. O que eu tiro disso é que nunca vai ser fácil, mas sempre vai valer a pena.

FD: Você fez o big chop ou preferiu realizar vários cortes até retirar toda a parte alisada?

Karen: Na primeira transição só fui cortando as pontas aos poucos, mas na segunda eu cortei toda a parte lisa de uma vez porque não aguentava mais. Fazia chapinha chorando querendo meus cachos. Eu vi que é bem melhor fazer o big chop porque você se sente livre de uma vez e não tem que lidar com duas texturas, então mesmo com meu cabelo bem curto, eu estava feliz porque sabia que ia crescer saudável. Recomendo que cada um respeite seu tempo! Se você ver que não vai aguentar lidar com todo o processo se joga no big chop, mas se você não se sente confiante e acha que vai se arrepender ao cortar muito curto, espera mais um pouco.

FD: Quais tratamentos você usou para recuperar o cabelo após a coloração errada?

Karen: Bastante hidratação e muita queratina líquida, inclusive a da Niely, que me ajudou muito! Eu via receitas caseiras no YouTube e fazia no meu cabelo. E aos poucos ele foi ficando mais bonito e recuperado. O cronograma capilar também ajuda muito.

FD: Como começou a sua relação com as box braids?

Karen: As tranças me ajudaram a recuperar minha autoestima quando meu cabelo estava bem curto. Eu estava me sentindo mal porque eu nunca tinha cortado tanto o cabelo e queria muito que ele crescesse logo. Comecei a pesquisar no Pinterest, ver algumas meninas no Instagram e no YouTube com box braids e decidi que ia colocar. Trabalhei e juntei meu dinheiro para fazer com uma trancista e de cara coloquei no tom rosa, naquele momento foi muito maravilhoso para mim porque as tranças eram enormes e eu fazia vários penteados. Fora que eu chamava atenção por onde passava, muita gente da minha faculdade me conhece como a menina das tranças.

As box braids me deram uma confiança incrível e depois dessa primeira vez eu aprendi a fazer sozinha e já tive muitas cores diferentes, entre elas: rosa, laranja, branca, preta, marrom, azul, vermelha, lilás e algumas cores eu coloquei mais de uma vez. Hoje em dia sempre que eu quero mudar eu recorro às tranças, e eu procuro colocar tamanhos e espessuras diferentes. E a melhor parte é que não danifica meus cachos, eu amo.

FD: Você sente que a sua transição capilar influenciou as pessoas com quem você convive?

Karen: Muito! Acho que minha irmã principalmente, ela é meu maior orgulho. Quando a Karine viu que eu consegui passar por isso e que ela também podia, decidiu encarar a transição capilar. E foi mais corajosa que eu! Fez o big chop com 6 meses de transição, inclusive ajudei a cortar a parte lisa, fico até emocionada de lembrar.

Esse negócio de influenciar outras pessoas é muito louco e às vezes a gente nem sabe quanta influência a gente tem. Algumas meninas tomaram coragem para colocar tranças, por exemplo, porque viram as minhas. Inclusive eu fiquei chocada quando uma menina maravilhosa que eu super admiro me disse que decidiu colocar box braids depois de ver as minhas. Eu fico muito feliz com essa parte da transição capilar porque a gente acha que estamos sozinhas nessa, só resistindo, mas também estamos incentivando outras meninas a fazer o mesmo e isso é incrível.

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