Fique Diva - Sabrina Lima conta como a transição capilar mudou sua autoestima e sua percepção de mundo: 'Você tem que poder escolher como seu cabelo vai ser'

31/07/2018 / Publicado por Marina Couto

Sabrina Lima conta como a transição capilar mudou sua autoestima e sua percepção de mundo: 'Você tem que poder escolher como seu cabelo vai ser'

Sabrina Lima começou a alisar os cabelos com 13 anos e entrou na transição capilar em maio de 2015

Sabrina Lima começou a alisar os cabelos com 13 anos e entrou na transição capilar em maio de 2015

Sabrina usou chapinha aos 11 anos e, dois anos depois, começou a alisar os fios com química

Sabrina usou chapinha aos 11 anos e, dois anos depois, começou a alisar os fios com química

No período da transição capilar, Sabrina se inspirava nas blogueiras cacheadas para finalizar os fios

No período da transição capilar, Sabrina se inspirava nas blogueiras cacheadas para finalizar os fios

A estudante não fez bog chop, preferiu cortar os fios a cada três meses

A estudante não fez bog chop, preferiu cortar os fios a cada três meses

Depois de um ano, os fios ainda estavam curtos, mas bem definidos

Depois de um ano, os fios ainda estavam curtos, mas bem definidos

Sabrina conta que se tornou uma pessoa mais confiante e se sente mais bonita com os cachos naturais

Sabrina conta que se tornou uma pessoa mais confiante e se sente mais bonita com os cachos naturais

Ao alisar os cabelos pela primeira vez, ainda bem novinha, Sabrina Lima se sentiu bonita como nunca antes. Isso porque a estudante de Comunicação acreditava que seu cabelo era liso volumoso, e que a chapinha ajudava a deixá-lo mais alinhado. No entanto, quando percebeu que estava vivendo, ou melhor, deixando de viver por causa dos fios alisados, Sabrina apostou na transição capilar para assumir os cachos e, atualmente, ama cuidar das madeixas. Saiba mais sobre a sua rotina na entrevista que ela deu ao Fique Diva!

FD: Você alisou os cabelos com quantos anos? Fez algum tipo de processo químico?

Eu alisei o cabelo muito nova, tinha 11 anos. Lembro até hoje. Uma tia chegou na minha casa com uma chapinha, que na época estava ficando bem mais acessível, e alisou meu cabelo. Já escova com formol eu comecei aos 13 anos e hoje eu acho muito cedo também. Acredito que na época já era proibido, mas mesmo assim o profissional utilizava e eu era muito nova, não fazia ideia dos perigos, só descobri que tinha formol anos depois.

FD: O que te motivou a mudar a textura dos fios?

Eu me senti linda com o cabelo liso todo alinhadinho desde a primeira vez, então quis alisar sempre. Ninguém nunca soube cuidar do meu cabelo natural. Eu acreditava que ele era liso volumoso, mas estava errada. Eu penteava os fios secos e eles perdiam qualquer possibilidade de formar um cacho por ser um tipo mais aberto (2c/3a). Eu vivia com ele preso pra poder domar o volume.

FD: Quanto tempo ficou em transição capilar? E como foi o processo?

Minha transição foi rápida e eu tive muita sorte. Meu cabelo nunca pegou os alisamentos direito e eu odiava isso, mas foi uma benção na transição. Quando alisava, ele não ficava lisinho, eu tinha que fazer chapinha todo dia. Um pesadelo! Minha transição começou meio sem querer, eu comecei a ter preguiça de fazer chapinha todo dia porque estava trabalhando e estudando. Depois eu conheci blogueiras cacheadas e tentei finalizar o cabelo do jeito que elas ensinavam e gostei, mas ele não cacheava ainda. Minha última química foi em fevereiro de 2015 e eu decidi entrar na transição em maio do mesmo ano.

FD: Fez big chop? Se sim, como lidou com os fios mais curtinhos? Se não, teria coragem de fazer?

Meu cabelo já estava muito curto quando eu decidi fazer a transição, um chanel de bico bem batido na nuca. Fui cortando as pontas de três em três meses e tirando a química. Lidar com o curto foi muito fácil, porque eu sempre amei, já tive o cabelo joãozinho. Em dezembro de 2015, tirei todo o resto de química, mas não foi um big chop.

FD: O que fez você assumir o seu cabelo natural? Foi difícil aceitar os cachos?

Eu estava numa fase de mudanças e não me reconhecia mais no espelho. Tinha terminado o colégio e comecei a perceber que muitas atitudes minhas, não só as de beleza, tinham foco em agradar o outro. Eu sempre achei lindo o cabelo cacheado, meu sonho era ter o cabelo da atriz Leandra Leal, mas eu não deixava porque as pessoas diziam que o liso era o certo e o único bonito. Fiquei curiosa para saber como meu cabelo era, porque nem isso eu sabia, não fazia ideia de que ele cachearia assim.

Eu deixava de viver muito por causa do cabelo, deixava de entrar em piscina e de ir à praia para que as pessoas não vissem que o meu cabelo não era liso. Isso é totalmente absurdo, mas infelizmente eu demorei a perceber. Amei meus cachos desde a primeira vez que eles começaram a aparecer - os cachos, o volume, o frizz, tudo!

FD: Já sofreu algum preconceito ou crítica por conta do cabelo cacheado?

Na empresa que eu estava, assim que parei de alisar, a supervisora me perguntou “Por que você não faz uma escova para o seu cabelo ficar mais alinhado?”. E ele nem estava cacheado, só estava ondulado e com volume. Na época, eu respondi "Preguiça", mas hoje responderia diferente. Muita gente fala "seu cabelo é lindo, parece de um anjo e você ainda é branquinha né?". Depois que eu fiquei ruiva isso intensificou. As pessoas aceitam meu cabelo numa boa e elogiam, mas isso é privilégio meu. O elogio delas discrimina outras pessoas e eu não sei como responder, porque na tentativa de ser gentil a pessoa está excluindo outras.

FD: Como faz para cuidar dos cabelos atualmente? Tem alguma receita caseira ou tratamento que não abre mão?

Eu cuido muito do meu cabelo, amo cuidar dele. Antes odiava fazer hidratação, ir ao salão, tudo. Porque meu cabelo é e sempre foi muito seco, as químicas e a chapinha só pioravam, então ele estava sempre feio. Hoje eu faço hidratação e nutrição uma vez por semana, mesmo! Porque eu não sinto necessidade de lavar muito, meus fios são muito secos, se eu lavo mais de três vezes já sinto a textura ficar áspera. E eu uso muito óleo! Umectação, para intensificar o creme e na finalização também. Uso xampu e condicionador com óleo na composição, assim como máscara e creme para pentear. Não pesa e hidrata muito.

FD: Você também pinta os cabelos, certo? Sente que a coloração interfere no formato e no volume dos seus cachinhos? O que faz para proteger os fios antes e depois da química?

Eu pinto o cabelo há um ano, algumas tintas ressecam mais que outras, mas isso é de cabelo para cabelo. O meu fica muito seco no dia que eu pinto, então eu planejo um cronograma. Antes de pintar, faço umectação noturna, lavo no dia seguinte, espero dois ou três dias e aí pinto. No dia da coloração, passo umas gotinhas de óleo nas pontas para proteger. Depois da tintura, faço um tratamento power com uma mistura de queratina líquida e máscara de hidratação e finalizo com um creme para pentear bem hidratante.

FD: O que mudou na sua vida depois da transição capilar?

A minha autoestima foi de -1 para 11 depois da transição. Eu me sinto mais bonita, mais confiante, melhorei minha relação com o meu corpo inteiro, não só as madeixas. Deixar meu cabelo natural era algo impensável para mim, uma opção inexistente, tipo desafiar leis da física entende? Como se não fosse possível e aí eu vi um monte de gente fazendo e descobri que existia. Foi uma das melhores decisões que eu tomei e foi aos poucos, muito natural. Ainda vou cortar ele joãozinho de novo, gosto de mudanças radicais.

FD: Que dica daria para as nossas leitoras que também desejam voltar aos cachos, mas que estão com medo de não lidar bem com a mudança?

Mudanças vêm para o bem. Mesmo algo que hoje você enxergue como algo muito ruim, lá na frente você vai ver que foi aprendizado. Tudo tem um lado bom e a gente precisa aprender a ver esse lado bom. A transição faz você olhar mais para o seu reflexo no espelho e se conhecer, mas ela também ensina que, mesmo nos dias de cabelo desengonçado, você consegue ser uma pessoa do bem, que ajuda os outros, que enfrenta os problemas, que luta pelo o que quer. Então não é cabelo liso que te define como boa ou não para algo, é você, e você tem que poder escolher como seu cabelo vai ser. Abrace as suas mudanças e se permita a chance de conhecer seu cabelo do jeito que ele é.

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