Fique Diva - Ser gorda não é normal? Youtuber Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos, te ajuda a amar o seu corpo como ele é!

02/06/2017 / Publicado por Marina Couto

Ser gorda não é normal? Youtuber Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos, te ajuda a amar o seu corpo como ele é!

Antes de criar o seu canal no Youtube, Alexandra Gurgel também começou o seu processo de empoderamento

Antes de criar o seu canal no Youtube, Alexandra Gurgel também começou o seu processo de empoderamento

Segundo Alexandra Gurgel, a motivação para criar o Alexandrismos, seu canal no Youtube, era mostrar para as outras pessoas que é possível se amar e se aceitar

Segundo Alexandra Gurgel, a motivação para criar o Alexandrismos, seu canal no Youtube, era mostrar para as outras pessoas que é possível se amar e se aceitar

'Ainda existe uma resistência muito grande da imprensa em falar sobre gordofobia, mas, na internet, esse movimento é cada vez maior', conta a Youtuber Alexandra Gurgel

'Ainda existe uma resistência muito grande da imprensa em falar sobre gordofobia, mas, na internet, esse movimento é cada vez maior', conta a Youtuber Alexandra Gurgel

Para Alexandra, o amor-próprio é um trabalho diário e os momentos ruins são importantes para o aprendizado e para nos transformar em pessoas melhores

Para Alexandra, o amor-próprio é um trabalho diário e os momentos ruins são importantes para o aprendizado e para nos transformar em pessoas melhores

A Youtuber fala bastante em seus vídeos sobre body positive, uma nova forma de lidar com o próprio corpo e com as outras pessoas, enxergando suas qualidades

A Youtuber fala bastante em seus vídeos sobre body positive, uma nova forma de lidar com o próprio corpo e com as outras pessoas, enxergando suas qualidades

'Não tenha medo, enfrente esse turbilhão, se ame, porque você é maravilhosa!', garante Alexandra

'Não tenha medo, enfrente esse turbilhão, se ame, porque você é maravilhosa!', garante Alexandra

Gordofobia, baixa autoestima e falta de amor-próprio são temas cada vez mais discutidos na internet, mas quem sofre com esses preconceitos no dia a dia sabe que ainda há um longo caminho a percorrer. A Youtuber Alexandra Gurgel, do canal Alexandrismos , também já passou por isso, mas fez desses problemas a sua motivação para conscientizar as pessoas de que um novo movimento é possível. O Fique Diva bateu um papo inspirador com ela, que contou tudinho sobre como aprender a se amar e ser mais feliz. Vamos conferir, divas?

1 - O que te motivou a criar um canal no Youtube e por que decidiu falar sobre temas tão delicados, como amor-próprio, empoderamento e autoestima?

Na verdade, eu mesma estava passando por um processo de empoderamento. Nunca tive uma autoestima alta, não sabia o que era amor-próprio, então, quando fiquei sabendo o que era feminismo e gordofobia, percebi que eu era gordofóbica e machista. Comecei a fazer um movimento de me desconstruir, de mudar meus padrões sociais e vi que várias pessoas passavam pela mesma coisa.

Quando comecei a fazer vídeos sobre isso, as pessoas passaram a se identificar e percebi que eram assuntos que faltavam na internet. Passei a falar cada vez mais. Como eu estava em processo de transformação, resolvi trazer essas questões para o canal, desde o início, para poder ajudar as pessoas. Porque se eu, que não me amava, passei a me amar e a me aceitar, queria que outras pessoas sentissem a mesma coisa, porque é possível.

2 - Na sua opinião, ainda existe muita resistência ao se discutir esses assuntos? Ou consegue perceber alguma diferença?

Sinto que ainda tem uma resistência muito grande por parte da imprensa, porque, para eles, não é tão interessante discutir assuntos como padrões de beleza, de estética, e de mudar isso, mudar a forma como a sociedade pensa. Dá lucro forçar a pessoa a ser magra, a ser fora do biotipo que ela nasceu para ter. Já na internet, a discussão é cada vez mais forte, mas ainda é um caminho longo a percorrer. Nesses quase dois anos de canal, tenho certeza que meus vídeos e o que já fiz conseguiram mudar um pouco esse panorama.

Pessoalmente, sinto diferença no tratamento. As pessoas me tratam diferente porque sabem que represento uma coisa, esse assunto, querem saber minha opinião, o que tenho para dizer. Elas já não chegam com assuntos triviais, como “ai, tô me sentindo gorda, me sentindo péssima” porque sabem que eu vou falar.

3 - Em relação ao amor-próprio, muita gente se confunde com o termo, achando que significa se amar todo dia, o dia inteiro. O que fazer naqueles dias em que a gente acorda se sentindo péssima consigo mesma? Como você lida com essa situação?

O fato de trabalhar o seu amor-próprio não quer dizer se achar maravilhosa, linda e de bom humor todos os dias. Significa justamente saber que você vai ter dias ruins, não vai se sentir bem, só que essas situações pequenas que te abalam não vai acabar com o amor-próprio.

O amor-próprio é a visão total que temos de nós mesmas e, quando o desenvolvemos, temos noção das coisas que são maravilhosas e das que não são tão legais assim a nosso respeito. Para quem não está em um bom momento consigo mesma, minha dica é trabalhar esse amor-próprio, começar a se amar. É um processo para a vida toda, então eu pergunto: você prefere passar a vida inteira se odiando e lutando para ser diferente de quem você é ou passar a vida inteira para se amar e se aceitar?

Os momentos ruins, nesse caso, passam a ser importantes para que a gente entenda que somos seres humanos, que vamos ter fases boas e outras nem tanto, mas que não é preciso se afundar na fossa, entendeu? É só um período, que vai passar.

4 - Muitas pessoas, principalmente as mulheres, sofrem preconceito por serem gordas e fazem de tudo para se encaixar nos padrões impostos pela sociedade. Como lidar com essa pressão e o que fazer para vencer a gordofobia?

Existe a pressão estética e a gordofobia, são duas coisas diferentes. Todos sofrem com a pressão, é uma construção social, pois desde pequenas somos ensinadas que, para sermos desejadas, temos que ser magras. Já a gordofobia é quando a pessoa é gorda e sofre preconceito por isso. Ela é vista como uma pessoa doente, que tem um corpo patologicamente doente, então a luta é muito maior, é estrutural e social.

As pessoas gordas também se vestem, se locomovem em transportes públicos e elas não têm que ter medo de ir a um bar, por exemplo, e sentar em uma cadeira por achar que pode quebrá-la. Para vencer esse preconceito, é preciso união, que toda a sociedade entenda isso e, a partir daí, que surjam novas leis, novas formas de se viver, que inclua as pessoas gordas. O corpo gordo não é doente, é só um corpo maior do que o outro. Temos que treinar nosso olhar, ler sobre o assunto e saber que não temos que cuidar da vida do outro. Quando a gente começa a cuidar da nossa vida e para de ficar julgando os outros, já melhora bastante.

5 - Você também fala muito sobre body positive em seus vídeos. Conta um pouco para gente sobre esse conceito e qual é a importância desse tema na sociedade em que vivemos.

Body positive, em uma tradução literal, significa ‘corpo positivo’. É um movimento bem forte nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil é pouco falado. Esse movimento é justamente para que você consiga olhar para os outros e para si mesma de uma forma positiva, enxergando as qualidades, independentemente se quer mudar algo ou não, sabe? Porque se amar e se aceitar é uma prerrogativa para você ser humano.

É impossível amar alguém se você não se ama, cuidar de alguém se você não se cuida. É mudar a forma de lidar com o seu corpo e com as outras pessoas, um movimento de união, de todas as cores, tamanhos e crenças. Lembrando que nada disso te obriga a nada, você não é obrigada a se amar. É só uma prerrogativa, eu acredito nisso, para fazer qualquer coisa na sua vida.

6 - Quais são as dicas que você daria para nossas leitoras, em especial as meninas que são gordas e com baixa autoestima, que querem iniciar o processo de autoaceitação? Qual é o primeiro passo para conseguir enxergar a sua verdadeira beleza?

A minha dica é: comece! Falo isso, porque muita gente sabe que existe conteúdo e vídeos sobre esses movimentos, mas ignora. Elas preferem não ver, não ler, porque sabem que isso pode incomodar, que irão precisar trabalhar coisas dentro delas, e é um processo. Não é fácil! Parece simples dizer ‘se ame, se aceite’, mas não é! É dia após dia, uma nova descoberta.

Outro ponto é não se ignorar. Às vezes, a gente nem se olha no espelho, não quer refletir a respeito e, quando percebe, cria uma bola de neve. Comece a se enxergar com carinho, entender que você tem defeitos e qualidades, como todo mundo. Se olha no espelho, literalmente, e veja o que você gosta - externa e internamente. Cuide de você, leve a vida com amor, viva de forma mais tranquila. Se quiser mudar algo em você, não tem problema. Mas primeiro você precisa se observar e parar de se ignorar. Não tenha medo, enfrente esse turbilhão porque você é maravilhosa!

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