Fique Diva - Dia da Consciência Negra: Rizia Cerqueira fala da importância da data e como a transição capilar ajudou na construção da sua autoestima

20/11/2019 / Publicado por Dandara Franco

Dia da Consciência Negra: Rizia Cerqueira fala da importância da data e como a transição capilar ajudou na construção da sua autoestima

Integrante do novo Clube de Influenciadoras da Niely, Rízia Cerqueira conta a importância do dia da Consciência Ngera para ela (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Integrante do novo Clube de Influenciadoras da Niely, Rízia Cerqueira conta a importância do dia da Consciência Ngera para ela (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia Cerqueira utilizou tranças e cabelos rastafaris durante a transição capilar (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia Cerqueira utilizou tranças e cabelos rastafaris durante a transição capilar (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia Cerqueira tem as madeixas como uma forma de resistência (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia Cerqueira tem as madeixas como uma forma de resistência (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia passou por um processo de conhecimento pessoal durante a transição capilar (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Rízia passou por um processo de conhecimento pessoal durante a transição capilar (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Nossa diva ainda conta que já sofreu com o racismo e comentários maldosos (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

Nossa diva ainda conta que já sofreu com o racismo e comentários maldosos (Foto: Instagram, @riziacerqueira)

No dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de Novembro, abordar a estética negra, a importância da valorização dos cabelos crespos e cacheados e a conexão com as raízes são pautas ainda mais celebradas. A data faz referência ao dia em que Zumbi dos Palmares, um dos principais líderes negros na luta anti escravista na era colonial, foi assassinado na tentativa de amenizar as manifestações dos negros escravizados por liberdade. No entanto, Zumbi dos Palmares deixou o seu legado para tantos outros negros que almejavam viver livres e de forma mais humanizada.

Atualmente, a data virou um sinônimo de comemoração das vidas negras, como a da Rízia Cerqueira , que faz parte do novo Clube de Influenciadoras da Niely e é a entrevistada para o especial do Dia da Consciência Negra. Conversamos com a nossa diva para entender como a transição capilar, os cuidados com os fios e o empoderamento possuem influência nesse dia tão especial. Confira:

Fique Diva: o que o Dia da Consciência Negra representa para você?

Rízia: O Dia da Consciência Negra, para mim, é mais um dia que a gente passa lutando e relembrando toda a história do nosso passado e do passado dos povos negros. Também relembramos a importância do negro na sociedade e evidenciamos a história que, querendo ou não, tentam apagar o tempo todo. Por mais que tenham passado anos da escravidão, a gente ainda vive cenas escravocratas e sofre coisas que lembram o que vivemos no passado. Então, essa é uma luta constante para gente e necessária.


FD: Como é a sua relação com a sua cor, seu cabelo e seu corpo, enquanto mulher negra? Pode nos contar um pouco sobre esse processo?

Rízia: A relação com a minha cor veio depois de um certo tempo. Eu tinha noção de que eu era negra e que vinha de uma família negra, apesar de não ser negra retinta, que é uma coisa que já fica evidenciada. Inclusive eu tenho alguns traços mais finos, tenho traços negróides mas não tantos e, por conta disso, a sociedade me aceita com mais facilidade. Da cidade que eu vim, a gente sofre muito preconceito e racismo e, para ter uma noção, teve uma época em que eu tentei me clarear! Não entendia porque eu era daquela cor dentre tantos coleguinhas na sala de aula, que eram todos brancos de cabelo liso, e ainda era filha de uma das poucas professoras negras da escola, que basicamente tinha ela e mais duas.  

FD: Já sofreu com racismo e preconceito? Se sim, como foi? 

Rízia: Sim, já sofri racismo no meio publicitário, inclusive. E, durante a transição,  já fui seguida no supermercado quando eu usava o cabelo mais rastafari.

FD: Como lida com atitudes e comentários preconceituosos atualmente?

Rízia: Hoje em dia, os comentários preconceituosos não são mais o tipo de coisa que me oprime, mas eu sei que ofende outras pessoas, que faz mal a elas. Agora eu tenho voz e sei me defender, mas tenho que entender que várias outras pessoas ainda não sabem como fazer isso. Então, em prol dessas pessoas, não posso me calar ou aceitar e ver uma atitude e ficar quieta.

FD: Já passou pela transição capilar? Se sim, como foi o processo de aceitação dos fios cacheados/crespos? 

Rízia: Sim, já passei pela transição há um tempo e foi bem difícil porque eu entrei em guerra com o meu corpo também. Mas aí primeiro eu tratei a minha mente, entendi quem eu era, quais eram as minhas raízes e me inspirei em mulheres que se pareciam comigo, com o meu contexto de vida e isso me ajudou. É o que eu digo sempre: é uma luta diária, sabe? Mas é aquilo, existem os dias bons e os dias ruins e a gente segue na luta sempre. 

FD: De que forma o seu cabelo influencia na sua autoestima te ajuda a ser uma mulher mais empoderada? 

Rízia: O meu cabelo é resistência. Eu bato no peito e levanto a mão contra tudo aquilo que ditam, que é errado e  que não pode em relação a minha cor, em relação à minha raça, em relação à estrutura e textura do meu cabelo e o que ditam ser certo, né? Então, sair na rua com o meu cabelo solto e com a roupa que eu quero usar já é um ato político. 

FD: Aproveitando o dia da conscientização, que dica daria para nossas leitoras que estão em processo de aceitação e empoderamento? 

Rízia: Não desistam porque a gente vai mudar o mundo. Precisamos entender que cada pessoa é um mundo e a partir do momento que a gente ajuda uma outra pessoa, a gente já está mudando o mundo. Então, assim, sejam resistência e não se esqueçam de que não querer assumir o seu cabelo black não vai te fazer menos negra do que eu ou qualquer outra pessoa: é aquilo, você faz aquilo que você se sente bem, se sente confortável porque empoderamento é isso, você levantar a sua bandeira e bater o pé pensando na melhoria do outro, do próximo e do mundo. 

 

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